(Des)Ordem Mundial

Nos processos aqui abordados, não se objetiva emitir juízos de valor, mas compreender a racionalidade meios e fins de atores considerados relevantes.

A Pandemia e a renda básica universal. Emergência conjuntural, governabilidade sistêmica ou consenso pós-trabalho?

A Relevância da América Latina na administração Trump: Discurso e realidade

Trump a a América Latina: Tempos de Doutrina Monroe. Boletim Lua Nova

Donald Trump e a América Latina. Jornal Informativo do Núcleo de Estudos Internacionais Brasil-Argentina (INFONEBIA)

Cuba: reinserção internacional, reformas econômicas e desafios da equidade social. Brasil no Mundo

Hugo Chávez e a América Latina: as consequências de um legado.  Revista História em Reflexão

Integração política da América Latina. O Globo

  • Em meio a tanto tiroteio de reais e aparentes incertezas, me incomoda a certeza de saber que há ordem na desordem. Porque no tempo que durar a quarentena do coronavírus, empresas e governos estarão fazendo vários testes.
    A suspensão momentânea do mundo permite a quem tem os recursos e a visão estratégica a possibilidade da foto. Trancado em casa, imagino um possível e certamente incompleto álbum de fotografias:
    1) Funcionamento do trabalho não presencial em termos de alcance, efetividade e emprego quantitativo de recursos humanos, impactando na redefinição, para baixo, de parâmetros de remuneração, infraestrutura técnico administrativa e instalações físicas.
    2) Mapeamento da informalidade que exigirá cobertura básica dirigida a manter, dispersa e desconectada, essa informalidade.
    3) Mapeamento de espaços de negocios até o momento desconhecidos ou negligenciados.
    4) Mapeamento da revolta, motivações, capacidades, ideias, intelectuais orgânicos (as), especialmente nas redes.
    5) Dança de cadeiras na ascensão e queda de lideranças políticas confiáveis…
  • Situações de crise representam, para setores com recursos de poder político e econômico, o contexto apropriado para testar estratégias de mudança qualitativa que projetem seus interesses, com sabidos impactos de precarização no mundo do trabalho. Crise como oportunidade para uma minoria, e de ajuste para a maioria.Crises também podem ser transformadas em oportunidade pelas maiorias negativamente afetadas.  Na atual crise deflagrada pela pandemia do coronavírus, um aspecto diferenciado na resposta dos Estados, dos organismos financeiros multilaterais e de elites orgânicas do globalismo neoliberal, é o reconhecimento da necessidade e urgência na implementação de mecanismos de renda mínima para os setores mais pobres que vivem na informalidade ou que serão afetados pela perda de empregos.Na crise de 2008, de origem estritamente econômica, os pacotes estatais de salvamento visaram as grandes empresas, deixando as populações à deriva, que reagiram de forma mais ou menos organizada em movimentos sociais e através de voto castigo em processos eleitorais, trazendo como um dos efeitos colaterais a ascensão de direitas etno-nacionalistas. A atual situação responde a um evento sanitário que exige o isolamento generalizado, pressionando a economia e afetando interesses, mas que pressupõe inevitavelmente, no consenso majoritário, que a saúde se sobreponha conjunturalmente às lógicas de acumulação de riqueza.No plano imediato, como defendem alguns setores, poderia se suavizar o isolamento, voltar à normalidade do trabalho, mas em algum tempo, a expansão sem controle da doença e da morte imporiam uma paralisia de fato, com consequências imprevisíveis.

    Desta vez não é administrável deixar as populações à deriva, fechadas em casa e sem renda, sob o risco de explosão social frente a um Estado e um sistema econômico que concentra seus recursos na gestão da pandemia.

    O debate favorável a uma renda básica universal, desde perspectivas teóricas diversas, é antigo, mas cresce cada vez mais. Como vimos, tornou-se resposta dos governos como paliativo de curto prazo. O desafio das maiorias é transformar a crise em oportunidade, criando um consenso social e político para a formulação e implementação de uma renda básica universal permanente. Há inúmeros estudos de diversas vertentes teóricas sobre como financiar isso, e os problemas apontados não vem do lado da economia, mas da política.

  • Más allá de consideraciones sobre las razones que orientan las disputas políticas entre gobierno y oposición, Nicolás Maduro responde a las presiones desde el exterior acelerando la implementación de una estrategia que enaltece como defensa del proceso iniciado por Hugo Chávez. Al desconocer los poderes legislativos de la Asamblea Nacional, de mayoría opositora, sustituida por la Asamblea Constituyente convocada en 2017 y de perfil oficialista, paralelamente a la victoria en las elecciones presidenciales de 2018 y el inicio de un segundo mandato, Maduro señaliza para una radicalización sin vuelta: 1) asume como costo inevitable denuncias de elecciones fraudulentas, de autoritarismo, de violación de la constitución, de derechos humanos, acompañadas de aislamiento regional, que busca contrarrestar avanzando en convergencias de intereses geopolíticos y económicos con Rusia y China, potencias que también son objeto de sanciones estadounidenses; 2) visualiza como oportunidad el desorden internacional acentuado por la política exterior trumpiana de destrucción de confianza en alianzas y acuerdos, cuyo divisionismo y desconocimiento de institucionalidades acaba legitimando comportamientos equivalentes por parte de otras naciones; 3) contabiliza positivamente el histórico de resistencia de Cuba frente a sucesivas escaladas de intervenciones de EE.UU., isla caribeña en condición estructural de vulnerabilidad económica muy superior a una potencia petrolera como Venezuela; 4) cuenta con la improbabilidad de invasión militar externa, posibilidad descartada por los gobiernos latinoamericanos, independientemente de las retoricas amenazantes de Donald Trump; 5) sabe que los vecinos temen más por una crisis humanitaria generadora de caos migratorio que por el tipo de régimen político existente en el país; 6) que la posibilidad de influencia regional del discurso bolivariano ya fue relativizada y contabilizada por los mercados; 7) que la oposición interna, factor decisivo en contextos de crisis que perfilen una alternancia de poder, depende para imponerse de una fractura en las fuerzas armadas capaz de vaciar el sostén militar del gobierno, terreno en el cual se situa la disputa central de posiciones.
  • Trump abriu a porta para justificar a diversidade de opções políticas, o que favorece os regimes políticos não liberais à esquerda e direita. Com Obama se legitimava a diversidade pela negociação, com Trump pela ausência de regras.
  • O tweet de Trump removendo o apoio ao acordo final da cúpula do G7 foi também um recado ao Kim Jong-un: se trato assim os líderes das 6 maiores economias capitalistas, aliados de Estados Unidos, imagina se ficar desapontado com nossa reunião. Diplomacia estilo Al Pacino em Scarface: I told you, man, I told you! Don’t fuck with me!
  • Três meses antes de ser nomeado por Trump  como Assessor de Segurança Nacional,  assim expressava John Bolton sua visão sobre a América Latina, que agora terá condições favoráveis para colocar na pauta da agenda regional: “com a Venezuela nas cordas, a legitimidade revolucionária dos Castros desaparece, e a pressão dos EUA aumentando, por quanto tempo o regime sobrevive é uma questão em aberto. Quem segue Raul Castro pode muito bem ser a versão cubana de Egon Krenz, o último governante comunista da Alemanha Oriental depois que o Muro de Berlim caiu em 1989 … Embora as tensões provavelmente não retornem aos níveis da Guerra Fria, quando a crise soviética sobre Cuba chegou perto de provocar a guerra nuclear, a intromissão russa na América Latina poderia inspirar Trump a reafirmar a Doutrina Monroe (outra vítima dos anos Obama) e pôr-se de pé para o povo sitiado de Cuba (como ele faz agora para o Irã) … Felizmente, pelo menos alguns países, como Argentina e Chile, mostram sinais de restabilização e superação de políticas econômicas equivocadas. Por outro lado, como os próprios brasileiros dizem, ‘o Brasil é o país do futuro e sempre será’.” (https://www.aei.org/publication/pay-attention-to-latin-america-and-africa-before-controversies-erupt/).
    Assume proeminência a abordagem de pressões políticas, econômicas e militares para forçar mudança de regime em governos considerados inimigos.
  • A autoimagem projetada por quem está no comando diz muito sobre seu universo de referência. Madeleine Albright, Secretária de Estado de Clinton, comparou Estados Unidos com uma águia, que voa mais alto e vê com maior clareza que os demais o que é melhor para o mundo. America First de Donald Trump coloca Estados Unidos como um dos tantos disputando fatias do bolo mundial. Para quem por ideologia (esquerda ou direita), nacionalismo, religião, civilização…se posiciona em polo antagônico a Estados Unidos, a chegada de Trump abriu uma brecha (por quanto tempo?)
  • Em 2000, Bashar al-Assad sucedeu seu pai, que governou por 30 anos. Em 2007 foi reeleito com 97,62% dos votos, e em 2014 obteve terceiro mandato com 88,7%.
    Se morasse na Síria e 1) fosse desde antes da guerra civil um opositor do regime, não por fanatismo religioso, mas por considerá-lo autoritário, e 2) lesse analistas que, na lógica do “inimigo do meu inimigo é meu amigo”, enaltecem negociações que restauram a “paz” anterior ao conflito por representarem vitória da Rússia e do Irã dada a exclusão de Estados Unidos no processo, me perguntaria: Era feliz e não sabia? Questionava erroneamente o Bashar al-Assad sem perceber que a questão geopolítica associada ao poder estadunidense era a chave para abrir as portas de uma eventual futura transição democrática?
  • Ataques de Drones autorizados por Bush e Obama no Oriente Médio e número de mortos:
    Bush (2001-2008): ao redor de 50 ataques, matando 491 supostos terroristas
    Obama (2009-2015): 506 ataques que mataram 3.049 supostos terroristas e 391 civis. O autor citado, Michael Lind, da New America Foundation, coloca “supostos terroristas” dado que as únicas fontes da escolha de alvos são os serviços de inteligência dos EUA.
    Donald Trump superará  a performance do prêmio Nobel da paz?
    Fonte: Michael Lind, VANGUARDIA DOSSIER Nª 62 “Los desafíos para la próxima presidencia de Estados Unidos después de Obama”, OCTUBRE / DICIEMBRE 2016

“>